Experiências
Irmã Elena Kuhl partilha sobre sua experiência de Compaixão
07/05/2012

No Capítulo da Congregação em 2011 nós nos comprometemos a aprofundar a compaixão e a justiça na vida diária. Quero partilhar esta experiência recente que me faz refletir sobre Compaixão.

Irmã Katherine, com sua compaixão pelos pobres e sofredores e sua sede de ver a justiça feita para todos na saúde pública, lutou para que todos pudessem receber do SUS os cuidados necessários para sua saúde. Isto ela fez durante 18 anos em Goiania, e depois da morte continua nos empurrando para fazer o mesmo!

Dona Fiuka era uma mulher idosa, solitária, sem parentes e acamada. Katherine visitava Fiuka frequentemente na sua casinha e incentivava algumas mulheres da comunidade local de cuidar dela no dia-a-dia. Fiuka, sempre alegre, rezava pelas amigas, agradecida.

Depois da morte da Katherine, Fiuka pediu uma foto de sua amiga. Eu a levei, e achei Fiuka passando mal na cama. Creio que Katherine me cutucou para chegar naquela hora; consegui achar um vizinho para levá-la ao CAIS, o Centro de Saúde do bairro. Lá ela ficou na Emergência por 5 dias acompanhada pelas mulheres que cuidavam dela, esperando uma vaga na UTI. Num dos dias foi Katherine de novo que me mandou visitá-la, através de um cachorro parecido com o antigo xodó dela, Kaká. Ele literalmente me cercou na rua e me levou até Fiuka, que estava precisando de uma massagem confortadora naquela hora.

Por fim, quando fui ver Fiuka no quinto dia, a ambulância tinha chegado para levá-la à UTI. Precisou de acompanhante, mas nenhuma das mulheres da comunidade esteve presente. Por que eu cheguei justamente naquela hora, e pude acompanhá-la ? Katherine, outra vez, com sua compaixão guiou a história.

Dona Fiuka faleceu naquela mesma noite. As últimas palavras dela para mim foram de sua preocupação, não com ela mesma, mas com quatro pessoas queridas dela que necessitam de cuidados carinhosos. O que Fiuka experimentou da compaixão da Katherine faz efeito cascata de amor, derramada sobre os que mais precisam. Agora eu acredito que estas duas mulheres que estão juntas com Deus vão continuar insistindo que a compaixão e a justiça sejam feitas na terra. Sinto o dedo indicador delas apontado para mim.

Irmã Ellen (Elena) Kuhl, ISJR - 29 de abril de 2012
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