Experiências
Irmã Maura Finn partilha sua experiência de aprender a viver a compaixão
29/11/2012

“Aprofundando nossa compreensão e prática de Compaixão e Justiça”, foi um dos compromissos e desafios que as Irmãs de São José de Rochester assumiram no nosso Capítulo Geral em abril de 2011.

Acredito no valor de compaixão na vida de cada um de nós e quero crescer na prática de compaixão na minha vida. Tenho lido mais, refletido mais sobre a vivência de Compaixão – todos são de acordo, é essencial para ter felicidade, para viver os ensinamentos de Jesus e que faz parte essencial de todas as religiões; é o que nos marca como espécie humana! Somos capazes de reconhecer no nosso próximo o que nos une e superar a tendência de julgar e criticar com compreensão e atos concretos de bondade, igualdade e solidariedade.

É tão comum enxergar os erros dos outros, o negativo, o que não presta – em nossa sociedade, em nosso próximo e em nós mesmos. Todos os dias, somos bombardeados com negatividade e exemplos de crueldade, da capacidade do ser humano em desprezar e maltratar outros seres humanos e o mundo.

Para mim, eu preciso enxergar diariamente o contrário de tudo isso! Quero perceber nos outros o que é positivo, os sinais de grandeza em atos simples e cotidianos. O rapaz no ônibus que se levanta e oferece seu assento a uma pessoa de mais idade ou de muletas! Quem segura a porta do banco para eu entrar, ou a segurança na entrada do banco que me oferece um sorriso e abre a porta giratória com um cumprimento.

Na televisão, apesar de tanta reportagem de violência, acidentes e mortes, eu presto atenção na “noticia” de um grupo de pais que vão atrás de alunos que desistiram de participar na escola, ou de uma escola cheia de violência que mudou através de programas de mediação de conflitos. Cada notícia que tem pessoas vivendo a prática de compaixão me anima e é fonte de esperança.

E na minha comunidade, as pessoas que visitam uma pessoa doente, o filho que leva a mãe para quimioterapia às 23:00 sem se queixar; a criança que pega os folhetos do chão e organiza tudo após a celebração; quem leva um copo de água para o cantor, e quem lembra de desligar as luzes que são acesas desnecessariamente .

Em casa moro com irmãs que são exemplos de compaixão praticada no dia a dia. Elena visita pessoas paralisadas e acamadas. Ela usa as suas mãos para massagear, as suas poucas palavras para dar esperança e compreensão, e seus ouvidos para deixar o outro com a certeza que alguém escutou e entende a sua frustração, ansiedade e cansaço.

Maira José que consegue levar na situação violenta de tantos presos uma presença amiga, que não cobra demais e ainda comunica a esperança de que a pessoa é capaz de mudar. Enxergar o que é bom em cada um é um grande sinal de compaixão.

Jeane mostra um carinho de “avó” para o pequeno Inácio, sobrinho de Maria José que fica conosco durante as visitas ao médico. A sua ternura e paciência de brincar e conversar com o menino é um sinal de compaixão materna.

Joana se identifica logo com seu irmão ou irmã e a sua resposta mostra o seu desejo de aliviar e levantar quem está precisando de uma mão.


Diariamente eu vejo a prática de compaixão e no fim do dia agradeço a Deus por tantas maneiras em que eu sou chamada a esta mesma maneira de viver – e termino meu dia com o sentimento de ser abençoada com a vida cercada de pessoas boas, pessoas misericordiosas. Agradeço a Deus pela vida e pela capacidade de perceber sinais do Deus Compassivo no meio de nós.

Irmã Maura Finn, Goiânia
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